PALEOZOICO · DEVONIANO
Período Devoniano
De 416 a 354 milhões de anos atrás: a era dos peixes, das primeiras florestas e dos primeiros passos fora da água.
⏱ 4 min de leitura

Dunkleosteus, o grande predador blindado do Devoniano.
🗓️ QUARTA DIVISÃO DO PALEOZOICO
Entre o Siluriano e o Carbonífero
O Devoniano (ou Devônico) compreende o período entre 416 e 354 milhões de anos atrás. Ele sucede o Siluriano e precede o Carbonífero, dentro da era Paleozoica.
É subdividido em três épocas: Devoniano Inferior (a mais antiga), Médio e Superior (a mais recente). Seu nome foi criado em 1830 para descrever uma sucessão de rochas em Devon, na Inglaterra.
Onde o Devoniano cabe na escala do Paleozoico:
62 mi
de duração do período
1830
ano em que o nome foi criado
3 épocas
Inferior, Médio e Superior
🌍 CONTINENTES EM MOVIMENTO
Continentes em colisão
No início do Devoniano, o continente Laurência, correspondente à América do Norte, colidiu com a Báltica, parte da Europa, formando a Euramérica. Também existiam a Sibéria e o Gondwana, o maior continente, que abrangia a Antártica, parte da África, a América do Sul e a Oceania.
Os microcontinentes que dariam origem à Ásia tinham climas mais quentes, enquanto o Gondwana era frio e úmido. Grande parte da superfície estava coberta por mares rasos, e o vulcanismo era intenso.
Euramérica
Laurência e Báltica se unem no início do período
Gondwana
Continente gigante, com clima frio e úmido
Vulcanismo
Atividade vulcânica intensa em todo o planeta
Mares rasos
Grande parte da superfície submersa
🌿 A CONQUISTA DA TERRA
Plantas e anfíbios avançam sobre a terra firme
As grandes transformações do período aconteceram na flora. Pequenas plantas terrestres cresceram rapidamente com o desenvolvimento dos esporos, unidades reprodutivas formadas por uma única célula.
No Devoniano Superior, licopódios, samambaias e as ancestrais das gimnospermas formaram os primeiros bosques de que se tem registro. Sem herbívoros para consumi-las, as florestas se espalharam e aumentaram o oxigênio da atmosfera ao fixar dióxido de carbono.
Peixes de nadadeiras lobadas, como o Eusthenopteron, o Panderichthys e o Tiktaalik, marcam a transição para a terra. A partir deles surgiram os tetrápodes Acanthostega e Ichthyostega, que deram os primeiros passos em terra firme.
Florestas sem herbívoros aumentaram o oxigênio da atmosfera e fixaram dióxido de carbono.
Esporos
pequenas plantas que colonizam o solo
Primeiros bosques
licopódios, samambaias e gimnospermas ancestrais
Ichthyostega
um dos primeiros tetrápodes em terra firme
🐟 A IDADE DOS PEIXES
Dunkleosteus: o predador blindado de 10 metros
Apesar de o ambiente terrestre estar cada vez mais propício à vida, o Devoniano ficou conhecido como a “idade dos peixes”. Surgiram os primeiros tubarões, os peixes de nadadeiras lobadas, os de nadadeiras raiadas e os placodermos, peixes com armadura que assumiram o topo da cadeia alimentar.
Alguns peixes de água doce desenvolveram pulmões, o que lhes permitiu respirar fora d’água. Dessas linhagens viriam os primeiros anfíbios. Nos continentes, a vida animal ainda era dominada por artrópodes, como aracnídeos e insetos.
Tubarões
surgem os primeiros do registro fóssil
Placodermos
peixes blindados no topo da cadeia alimentar
Nadadeiras lobadas
origem dos primeiros anfíbios
Pulmões
peixes de água doce que respiram fora d’água
🪸 RECIFES E EXTINÇÃO
Recifes e o grande desaparecimento do fim do período
Nos oceanos existiam grandes recifes construídos por corais e estromatoporoides, organismos coloniais que formavam estruturas com mais de um metro. Os trilobitas entravam em declínio, enquanto os amonites surgiam.
Ao final do período, um evento de extinção gradual, com causas ainda não bem conhecidas, durou de 2 a 3 milhões de anos e atingiu principalmente as comunidades marinhas. Os recifes desapareceram por completo, assim como os graptólitos, os tentaculitídeos, muitos braquiópodes, organismos planctônicos e peixes.
Nem mesmo os placodermos resistiram, abrindo espaço para o desenvolvimento dos tubarões.
Das setenta famílias de peixes, apenas dezessete sobreviveram e passaram ao Carbonífero.
2–3 mi
anos de duração da extinção gradual
70 → 17
famílias de peixes que sobreviveram
> 1 m
estruturas construídas pelos recifes
📍 POR QUE ISSO IMPORTA PARA A SERRA DO RONCADOR?
A Formação Furnas guarda parte dessa história
A Formação Furnas, citada no estudo sobre o Domo de Araguainha, reúne arenitos do Siluriano e do Devoniano na Bacia do Paraná. Ler essas camadas ajuda a entender o cenário em que a vida começou a conquistar o continente.
Os conteúdos sobre o Ordoviciano, o Devoniano e o Domo de Araguainha se conectam: juntos ajudam a reconstruir a longa evolução da Terra na região.
📚 CRÉDITOS E FONTES
Ilustrações: Karen Carr (© The Field Museum); Dr. Ronald Blakey, Universidade do Norte do Arizona (com modificações); Zdeněk Burian; Dmitry Bogdanov; Museu de Exposição de História Natural da Universidade de Michigan. Tabela do tempo: © Mundo Pré-Histórico.
Fontes consultadas: InfoEscola, Geologia UERJ, Fósseis – a evolução da vida e História da Terra.
CONTINUE A VIAGEM PELO TEMPO
✦✦✦
Do Ordoviciano ao Carbonífero: a história continua
Explore os períodos vizinhos e veja como a paisagem foi sendo construída.
Comentários