PALEOZOICO · ORDOVICIANO
Período Ordoviciano
Entre 485 e 444 milhões de anos atrás, os mares se encheram de vida, o gelo chegou ao polo sul e um dos maiores colapsos biológicos da história apagou boa parte dessa vida.
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Um mar cheio de vida, antes de tudo mudar.
Quarenta e dois milhões de anos de mares
O Ordoviciano é o segundo dos seis períodos da era Paleozoica. Ele sucede o Cambriano e antecede o Siluriano, e durou cerca de 42 milhões de anos.
O nome vem dos Ordovices, um antigo povo do centro do País de Gales. Foi definido em 1879 pelo geólogo britânico Charles Lapworth, que organizou rochas da Grã-Bretanha em um período próprio.
Onde o Ordoviciano cabe no Paleozoico:
Ato I
mares cheios de invertebrados em plena diversificação
Ato II
gelo no polo sul e mares que recuam
Ato III
o colapso: a maior parte dos gêneros marinhos desaparece
Um mundo quase inteiro coberto de oceano
Ao norte dos trópicos, o planeta era quase todo oceano. A maior parte das terras estava concentrada no sul, no supercontinente Gondwana, que se deslocava em direção ao polo. Laurentia, a futura América do Norte, ficava perto do equador e grande parte dela estava debaixo de mar raso.
Nesses mares quentes e úmidos, a vida se diversificou. Os sedimentos acumularam muito calcário, o que indica águas rasas e quentes, e os fósseis desse período são abundantes.
Nautiloides
predadores com câmaras cheias de gás na concha
Trilobitas
alguns já podiam se enrolar para se proteger
Graptólitos
colônias planctônicas, ótimos fósseis-guia
Corais e briozoários
recifes dominados por algas e esponjas
Peixes sem mandíbula e os enigmáticos conodontes
Os ostracodermes eram peixes sem mandíbula, com grandes escudos ósseos na cabeça. Pequenos e de boca voltada para baixo, provavelmente filtravam alimento do fundo do mar. Entre os fósseis de vertebrados mais antigos estão restos desses animais, encontrados em rochas ordovicianas.
Os conodontes deixaram para trás apenas pequenos dentes fósseis. Os poucos corpos completos sugerem criaturas parecidas com enguias, com grandes olhos. Hoje acredita-se que sejam vertebrados verdadeiros, ainda que essa linhagem tenha se extinguido depois.
Os conodontes são pequenos dentes fósseis que hoje se acredita pertencerem a vertebrados verdadeiros.
Quando o Gondwana chegou ao polo
Durante o Ordoviciano Médio, o clima era ameno e a atmosfera úmida. No Ordoviciano Superior, o Gondwana finalmente alcançou o polo sul: geleiras enormes se formaram, a água do mar ficou presa no gelo e o nível do mar caiu.
Os mares rasos que cobriam os continentes drenaram, deixando para trás depósitos glaciais que hoje aparecem no norte da África e na América do Sul.
A extinção do fim do período
A queda do nível do mar e as mudanças climáticas causaram uma das grandes extinções da história. Entre as cinco maiores crises em massa da vida na Terra, ela eliminou grande parte dos animais marinhos e de muitos grupos de invertebrados.
Graptólitos, trilobitas, braquiópodes, equinodermos e conodontes estão entre os grupos que sofreram grandes perdas.
60%
dos gêneros de invertebrados marinhos desapareceram
25%
das famílias de invertebrados marinhos foram extintas
≈443
milhões de anos atrás, o fim do período
A vida começa a sair da água
Um dos episódios mais instigantes do período é a colonização da terra. Surgem restos de artrópodes terrestres iniciais, além de microfósseis de células, cutículas e esporos que se assemelham aos de plantas terrestres primitivas.
As primeiras plantas teriam aparecido em solos antes estéreis. Esses primeiros passos foram interrompidos pelo frio que tomou conta do planeta até o fim do período. Hoje, parentes desses animais sobrevivem: os caranguejos-ferradura, por exemplo, são aracnídeos que ainda desovam na praia.
Os primeiros passos em direção à vida em terra foram interrompidos pelo frio do fim do período.
Mares antigos deixaram camadas que ainda contam histórias
No Brasil e na América do Sul, o mar avançou sobre o interior do continente durante o Ordoviciano. Depósitos desse período aparecem nas bordas de bacias sedimentares, como as do Paraná e a do Amazonas.
Ler o Ordoviciano ao lado do Devoniano e do Domo de Araguainha ajuda a entender como o mar se retirou aos poucos e deixou as camadas que hoje formam a paisagem.
Escala do tempo: Carta Cronoestratigráfica Internacional, Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS). Os valores de início e fim foram padronizados por essa carta.
Textos base consultados: UCMP Berkeley (ucmp.berkeley.edu); National Geographic; Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); UNESP; Schobbenhaus et al., Geologia do Brasil (1984); Park, Geological Structures and Moving Plates (1988); Parker, McGraw-Hill Encyclopedia of the Geological Sciences (1988); Ramos, Episodes (1988).
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Do Ordoviciano ao Devoniano: a vida ocupa a terra
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