🧭 HISTÓRIA · EXPEDIÇÕES · MISTÉRIO
Coronel Percy Fawcett
A busca pela Cidade Z e o mistério que atravessou gerações.

Percy Fawcett, 1911. Autor não identificado. Wikimedia Commons — domínio público.
QUATRO MARCOS DA HISTÓRIA
Entre os mapas e a Cidade Z
ORIGEM
1867
Nascimento do explorador britânico
AMÉRICA DO SUL
1906
Primeiros trabalhos no continente
ÚLTIMA EXPEDIÇÃO
1925
Desaparece com Jack e Raleigh
MEMÓRIA ESCRITA
1953
Publicação de Exploration Fawcett
O HOMEM ANTES DA LENDA
Quem foi Percy Fawcett?
Percy Harrison Fawcett nasceu em 1867 e construiu uma trajetória como militar e explorador britânico. Sua presença na América do Sul começou em 1906, ligada a trabalhos de levantamento e demarcação de fronteiras entre Brasil e Bolívia.
A cartografia o levou a regiões que os governos desejavam medir e representar em mapas. Esses espaços, porém, já eram habitados e conhecidos por povos indígenas. Mapear para o Estado não significava encontrar um território sem história.

Três nomes, uma expedição
Percy Fawcett
O explorador que procurava a cidade chamada Z.
Jack Fawcett
Seu filho, companheiro na jornada de 1925.
Raleigh Rimell
Amigo de Jack e terceiro integrante do grupo.
RELATOS · MAPAS · EXPECTATIVAS
O que era a Cidade Z?
Z era o nome dado por Fawcett à civilização que imaginava encontrar no interior sul-americano. Sua procura combinava experiências de viagem, interpretações de relatos e crenças pessoais. Uma hipótese que orientava seus passos não é uma descoberta comprovada.
Entre os documentos ligados ao imaginário das cidades perdidas está o Manuscrito 512, preservado pela Biblioteca Nacional. O registro descreve uma suposta povoação antiga encontrada em 1753 nos sertões associados à Bahia.
O manuscrito deve ser entendido como fonte histórica sobre um relato. Não comprova a existência de Z em Mato Grosso, nem funciona como mapa confirmado de uma cidade no Roncador.
1906
Trabalhos de fronteira na América do Sul.
1925
Última jornada com Jack e Raleigh.
1953
Brian organiza os escritos do pai.
2008
Pesquisa documenta redes de assentamentos indígenas no Xingu.
A VIAGEM QUE NÃO TEVE RETORNO
1925: o silêncio da expedição
PERCY • JACK • RALEIGH
Em 1925, Fawcett seguiu para o interior de Mato Grosso com Jack e Raleigh Rimell. A procura pela Cidade Z acabaria substituída por outra pergunta: o que aconteceu com os três viajantes?
A correspondência é parte fundamental dessa história. Além da carta à esposa datada de 29 de maio, estudos examinam outros registros da viagem, como um bilhete de 7 de maio atribuído ao explorador e preservado no Museu Histórico Nacional.
1925
o ano do desaparecimento
O local exato e as circunstâncias do desaparecimento não foram estabelecidos de maneira conclusiva.
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viajantes sem destino confirmado
Depois das últimas notícias, relatos de diferentes origens tentaram reconstruir a rota. A ausência de uma conclusão documental segura exige separar acontecimentos registrados de hipóteses sobre o destino do grupo.
HISTÓRIA E MEMÓRIA REGIONAL
E a Serra do Roncador?
A tradição e as narrativas regionais associaram o desaparecimento de Fawcett à Serra do Roncador. Essa ligação faz parte da memória cultural da região e ajuda a explicar o interesse que seu nome desperta entre moradores, pesquisadores e visitantes.
Isso não permite afirmar como fato que ele desapareceu na serra, encontrou uma passagem subterrânea ou chegou a uma cidade secreta. Histórias sobre Erks e outros mundos pertencem ao campo das crenças e das interpretações esotéricas.
O fascínio pode ser preservado com uma distinção clara: a expedição de 1925 é histórica; o destino dos viajantes permanece incerto; a associação ao Roncador integra as narrativas construídas em torno do caso.
FOTOGRAFIAS DE ARQUIVO
Rostos por trás da história
Fotografias identificadas aproximam o visitante de Fawcett sem recorrer a cenas inventadas. O retrato de 1911 e a imagem ao lado de Ernest G. Holt registram momentos anteriores ao desaparecimento.
As quatro imagens abaixo estão catalogadas no Wikimedia Commons como domínio público. As fichas de origem permitem conferir descrição, procedência e condições de reprodução.


Percy Fawcett e Ernest G. Holt. Autor desconhecido. Fonte: University of Alabama Museums, via Wikimedia Commons — domínio público.
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Buscas, relatos e uma ossada descartada
O desaparecimento motivou buscas, reportagens e versões concorrentes. Ao longo das décadas, diferentes pistas foram anunciadas como possíveis respostas. A divulgação de uma descoberta, no entanto, não substitui sua verificação.
O Royal Anthropological Institute preserva os relatórios sobre restos humanos levados do Brasil e atribuídos a Fawcett. Os especialistas concluíram que não pertenciam ao explorador. O acervo inclui um relatório datado de 24 de outubro de 1951.
Relatos de contato com os viajantes também precisam de contexto. Não é adequado transformar suspeitas antigas em acusação definitiva contra um povo indígena ou apresentar uma versão isolada como solução do caso.
ARQUEOLOGIA · POVOS DO XINGU
O passado real por trás das cidades perdidas
Pesquisas no Alto Xingu documentaram redes de grandes assentamentos, praças, caminhos e alterações planejadas da paisagem. O estudo publicado em Science em 2008 reuniu pesquisadores e participação indígena, incluindo Afukaka Kuikuro.
Esses resultados mostram formas complexas de organização e ocupação indígena. Os conhecimentos Kuikuro contribuíram para identificar vestígios e compreender lugares que não eram simplesmente uma floresta intocada.
Isso não confirma automaticamente a Cidade Z imaginada por Fawcett. Revela algo de valor próprio: a história dos povos que construíram, transformaram e continuam conhecendo esses territórios.
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O passado do Xingu tem protagonistas indígenas, para além da lenda de um explorador desaparecido.
Cidades Invisíveis
Margherita Detomas
Escritora e jornalista italiana
Minha versão sobre P.H. Fawcett

Timothy Paterson
PESQUISA · LIVRO · BARRA DO GARÇAS
Margherita Detomas: um novo olhar sobre Fawcett
A história de Percy Fawcett também ganhou espaço no trabalho da escritora e jornalista italiana Margherita Detomas, autora de Cidades Invisíveis – Minha versão sobre P.H. Fawcett. Segundo a matéria sobre o lançamento, o livro reúne mais de 30 anos de pesquisas em Barra do Garças, no Xingu, em Cuiabá e no Nordeste.
Nessa busca, Margherita contou com a companhia de Timothy Paterson, sobrinho-neto de Fawcett e estudioso dos mistérios que cercam sua trajetória. A participação de um familiar do explorador acrescenta uma ligação pessoal à investigação, aproximando a memória da família dos caminhos percorridos em campo.
Escrita originalmente em italiano e posteriormente traduzida no Brasil, a obra propõe uma releitura das coordenadas e dos caminhos da jornada do explorador. A proposta deve ser compreendida como a interpretação da autora, sem transformar suas hipóteses em conclusões históricas estabelecidas.
Na entrevista ao podcast Semana7 citada pela reportagem, Margherita relatou pesquisas em arquivos, trabalho de campo e mais de 30 expedições. Também destacou a colaboração de muitas pessoas e o vínculo afetivo construído com Barra do Garças ao longo desse percurso.
O lançamento local teve apresentações na Academia de Letras, Cultura e Arte do Centro-Oeste e no Centro Cultural Valdon Varjão. A programação reuniu literatura, música e uma apresentação caracterizada de Fawcett, aproximando a pesquisa da vida cultural da cidade.
O livro acrescenta uma perspectiva ao debate e mostra como a memória de Fawcett continua mobilizando pesquisadores e leitores. Para conhecer os argumentos e avaliar as novas interpretações, a referência é a própria obra e os documentos nela apresentados.
Fonte deste bloco: reportagem sobre o lançamento fornecida à edição do site. As informações de pesquisa são atribuídas à autora e à matéria.
PESQUISA E LEITURAS
Entre documentos e interpretações
Em 1953, Brian Fawcett organizou os escritos do pai em Exploration Fawcett. A publicação ajudou a prolongar o interesse pela trajetória do explorador. Cartas, memórias, reportagens e interpretações posteriores precisam ser lidas como tipos diferentes de fonte.
- Deborah Lavorato Leme — estudo do bilhete de 1925
- USP — Matula no sertão: a trajetória de Fawcett
- Biblioteca Nacional — Manuscrito 512
- Royal Anthropological Institute — Fawcett Papers
- Beatriz Jaguaribe — cidades perdidas e imaginários expedicionários
- University of Florida — assentamentos antigos no Xingu
- Museu Goeldi — artigo sobre urbanismo pré-colombiano
Continue conhecendo a história regional e as diferentes narrativas que cercam a Serra do Roncador.
CONTINUE A VIAGEM
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Continue explorando a história da Serra do Roncador
Do impacto de Araguainha às páginas mais antigas da região.
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